Médica descobre esclerose múltipla após crise em vestibular e usa experiência como paciente para ajudar

  • 19/08/2026
(Foto: Reprodução)
Carolina Miranda Aranha atua como médica generalista em Santos (SP) Arquivo Pessoal e Gabriel Cardim Desde a adolescência, Carolina Miranda Aranha sonhava em se tornar médica. Mas foi justamente durante uma prova de vestibular para Medicina que ela teve a primeira crise de uma doença que até então desconhecia: a esclerose múltipla. Carolina precisou abandonar o exame e procurar atendimento médico, mas não desistiu da carreira. Hoje, já formada, usa a própria experiência com a doença para ajudar a identificar sinais de esclerose múltipla em pacientes em Santos, no litoral de São Paulo. 🔎 A esclerose múltipla atinge, geralmente, pessoas entre 20 e 40 anos, com maior incidência entre as mulheres. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) define a condição como uma doença neurológica, crônica e autoimune, na qual células de defesa do organismo atacam o sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. No mês dedicado à conscientização sobre a esclerose múltipla, o chamado 'Agosto Laranja', Carolina explicou ao g1 a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para o enfrentamento da doença, que não tem cura. “É possível, sim, a gente viver completamente feliz, trabalhando no que almeja, com muito sucesso”, afirmou a médica. Agora no g1 Desafios do diagnóstico Ao g1, Carolina contou que decidiu cursar Medicina ainda na adolescência, inspirada pelo tio. No entanto, precisou enfrentar uma série de desafios para entrar na carreira após ser diagnosticada com esclerose múltipla no início de 2016. O primeiro obstáculo surgiu no vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em novembro de 2015, quando ela precisou abandonar a prova para procurar atendimento médico devido a um intenso formigamento na mão e à visão embaçada. Acompanhada por um neurologista, a estudante passou por uma investigação e realizou exames até receber a confirmação da doença. Ela contou que, apesar do interesse pela área da saúde, conhecia pouco sobre a esclerose múltipla naquele momento. “Então minha reação foi de incógnita, de tipo: ‘O que está acontecendo com a minha vida?’. Ao longo do tempo, eu fui realmente tendo uma ciência”, relembrou. Já em tratamento, Carolina também enfrentou desestímulo para seguir em busca do sonho de se tornar médica.“Muita gente me desencorajou a fazer Medicina. Eu escutei muito de diretor de cursinho pré-vestibular e de muita gente que eu não me formaria médica”, contou. Segundo Carolina, as pessoas diziam que seria difícil conciliar as exigências do curso com a doença. O apoio dos pais, do tio, do neurologista e da direção da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), segundo ela, foi essencial para que conseguisse concluir a graduação. Tratamento e carreira Para estudar em Santos, onde passou no vestibular, Carolina contou que precisou ir contra uma recomendação de seu médico, que havia sugerido cidades com temperaturas mais baixas. O calor pode provocar uma piora temporária de sintomas em algumas pessoas com esclerose múltipla. Carolina, porém, disse ter se adaptado à Baixada Santista e, atualmente, segue carreira em Santos. Para isso, afirmou que organiza a rotina de forma a evitar os períodos de calor mais intenso. Segundo a médica, o tratamento dela inclui suplementação de vitamina D, infusão hospitalar de medicamento imunobiológico e prática de esportes. Prática de exercícios físicos faz parte do tratamento de Carolina Arquivo Pessoal Influência na profissão Carolina acredita que o diagnóstico trouxe mais humanização e empatia à prática da medicina. “Até porque eu sou uma grande paciente”, afirmou. Como médica generalista, ela realiza atendimentos em pronto-socorro e acredita que a experiência pessoal influencia a forma como observa e acolhe os pacientes. “São pacientes que demandam mais da gente, da nossa atenção. Então esse olhar mais carinhoso, mais atencioso, por ter esclerose, eu acredito que influenciou demais mesmo”, disse. De acordo com Carolina, ela já encaminhou pacientes ao neurologista após identificar sinais que poderiam estar relacionados à esclerose múltipla. Segundo a médica, alguns deles posteriormente receberam o diagnóstico da doença. “Por eu ser portadora facilita muito saber o que eles estão sentindo, o que pode ser esclerose, o que não pode ser, porque tem alguns sinais e sintomas que confundem”, afirmou. Agosto Laranja alerta para importância do diagnóstico precoce da esclerose múltipla A médica contou que uma das pacientes diagnosticadas foi quem a incentivou a divulgar a própria história como forma de contribuir para a conscientização sobre a doença. “Foi exatamente a virada de página. Eu preciso mesmo ajudar, eu como médica e eu como paciente”, afirmou. Para Carolina, falar sobre a esclerose múltipla também é uma forma de ampliar o conhecimento da população sobre a importância de procurar atendimento e investigar possíveis sintomas. “Quanto mais cedo a gente conseguir diagnosticar, melhor vai ser o prognóstico da doença e a qualidade de vida da pessoa. [...] Não é um fardo algum e eu acredito que a esclerose múltipla não define o ser humano”, destacou.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2026/08/19/medica-descobre-esclerose-multipla-apos-crise-em-vestibular-e-usa-experiencia-como-paciente-para-ajudar.ghtml


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