Família de árbitro brasileiro na Copa do Mundo une fé e torcida por empates: 'Ansiedade lá em cima'

  • 21/06/2026
(Foto: Reprodução)
Família destaca expectativa por estreia de árbitro brasileiro na Copa do Mundo Antes do início de qualquer partida, Carolina Claus posiciona dois cartões — um vermelho e outro amarelo — e uma moeda da Copa do Mundo de 2022 diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida que fica na sala de estar da casa, e acende uma vela. É assim que família do árbitro Raphael Claus pede proteção, torce para empates e até comemora a aplicação de cartões em jogos que o profissional de Santa Bárbara d'Oeste (SP) apita. Ele estreia na Copa do Mundo neste domingo (21), às 13h, na partida entre Espanha e Arábia Saudita. A preparação da esposa e dos três filhos envolve tradições religiosas e o apego a objetos simbólicos da carreira do árbitro. Devotos de Nossa Senhora Aparecida, os familiares até visitaram o santuário em Aparecida (SP) para agradecer as convocações para a Copa em 2022 e neste ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp "A gente deixa [os objetos] e faz uma oração. E aí assiste o jogo e deixa na nossa sala, que tem uma Nossa Senhora. A gente é muito devoto de Nossa Senhora. Até quando saiu a convocação dele para as duas Copas nós fomos lá em Aparecida agradecer. A gente deixa a nossa velha e fica na torcida." "Estamos com muitas expectativas. Sempre ansiosos para ver a estreia dele, porque a Copa do Mundo a gente sabe o tanto que ele se dedicou, o quanto foi difícil pra ele chegar lá. Então a gente está com a ansiedade lá em cima", explicou Carolina Claus, a esposa. Família do árbitro Raphael Claus em Aparecida (SP), celebrando a convocação para a Copa do Mundo. Acervo Pessoal Torcer pelo empate e comemorar cartão vermelho Torcer pelo juiz é uma experiência bem diferente de apoiar um jogador ou uma equipe. No caso de Carolina, a torcida é com oração, apitos, buzinas e dentro de casa. Ela prefere acompanhar cada lance com atenção, observando se o marido está indo bem e “se está apitando certo”. "A gente torce para não dar nenhuma polêmica, então eu quero que a bola fique só no meio do campo e que fique empatado o jogo. É, porque aí se ninguém ganha, todo mundo fica feliz, né? Porque quando um ganha e o outro perde, sempre tem um que reclama", disse Carolina. Lucca Claus, de 8 anos, tem um enorme orgulho do pai e guarda detalhes da carreira do Raphael na arbitragem, como ele ter iniciado a carreira em 2002 e ter estreado na Copa do Mundo de 2022 em uma partida entre Inglaterra e Irã, que acabou em 6 a 2. "[No jogo], eu torço para o meu pai dar o melhor. Quando ele dá cartão vermelho e eu acho que é certo, eu comemoro. [...] Assim como meu pai, eu vou ser jogador de futebol e eu também quero ser árbitro. Quando eu me aposentar vou virar juiz", contou Lucca. Imagem do árbitro Raphael Claus em partida do Campeonato Brasileiro e imagem dourada da Nossa Senhora Aparecida que fica na sala de estar do juiz. Thiago Ribeiro/AGIF e Acervo Pessoal Três árbitros brasileiros Para a atual edição da Copa do Mundo, que terá 104 partidas, foram selecionados 52 árbitros, 87 auxiliares e 30 árbitros de vídeo. Além do Raphael Claus, outros dois árbitros brasileiros foram escolhidos: Ramon Abatti Abel e Wilton Pereira Sampaio. O quadro de brasileiros participantes também conta com cinco bandeirinhas: Bruno Boschillia, Bruno Pires, Danilo Manis, Rodrigo Figueiredo e Rafael Alves. Rodolpho Toski Marques atuará como VAR no mundial. Caso o Brasil avance para as fases finais, a arbitragem brasileira volta para casa mais cedo, e o trio de juízes não vai ter a chance de apitar partidas decisivas. Carolina contou que torce para o país conquistar o hexa, mas ressaltou que torce um pouco mais para a carreira do esposo. "Eu torço mais para o Rapha. Lógico que a gente torce para o Brasil, mas a gente sabe que se o Brasil for desclassificado, ele tem chance de apitar uma semifinal, dependendo do desempenho dele. Então, a gente fica meio dividido e com o coração partido", disse Carolina. Como um árbitro é escolhido? Segundo a Fifa, entidade que rege o futebol no mundo e organiza a Copa do Mundo, os árbitros passaram por um processo de seleção de cerca de três anos. As nomeações foram feitas seguindo o princípio de “qualidade em primeiro lugar”. Para definir os árbitros escolhidos, foram considerados fatores como a consistência de desempenho em torneios, além de competições internacionais e nacionais nos últimos anos. Nesse período, Raphael seguia uma rotina mais regrada que muitos atletas. Com treinos diários, segundo Carolina, a família passou por privações e eles perderam até festas de fim de ano para que Raphael alcançasse a convocação. "Para chegar lá não foi fácil. Eu que acompanhei essa trajetória e foi muita dedicação. Foi bem emocionante ver ele apitar, porque acho que é onde todo mundo quer chegar, né? Eu acho que a Copa do Mundo, para uma carreira dos jogadores ou dos árbitros, eu acho que é o auge, assim, é onde todos querem estar", finalizou Carolina. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/06/21/familia-de-arbitro-brasileiro-na-copa-do-mundo-une-fe-e-torcida-por-empates-ansiedade-la-em-cima.ghtml


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